Sem fazer exames há seis anos, mulher descobre câncer de mama e a importância do autocuidado

A cabeleireira, Ângela Vieira, descobriu um nódulo ao apalpar o seio durante o banho. Precisou se afastar de casa por dez meses para fazer o tratamento contra a doença que mudou a perspectiva que tinha da vida.



“Não vou ficar procurando médico para não achar doença”, lembra a cabeleireira, Ângela Vieira, de 53 anos, antes de descobrir que estava com câncer de mama. Há seis anos sem fazer consultas médicas, ao apalpar o seio durante o banho descobriu um nódulo e um novo capítulo da vida se iniciou. Um mês após conclusão do tratamento, a empresária de Petrolina, no Sertão de Pernambuco se considera uma nova mulher e tem incentivado outras mulheres a fazerem o autoexame e a estarem atentas com a própria saúde.
Em dezembro de 2018, com uma rotina agitada e planos para uma viagem com as filhas, Ângela foi diagnosticada com câncer de mama. Um ultrassom foi feito e pôde ser identificado um nódulo com características diferentes, após o resultado da biópsia, ela não acreditava que suportaria o tratamento contra a doença.

“A impressão que você tem é que a qualquer momento você vai morrer, dá aquele medo profundo, parece que não vai conseguir aguentar. Comecei a chamar quem estava por perto para poder abraçar. Chorei desesperadamente, foi terrível, uma emoção negativa muito forte”.

 

Por dez meses, Ângela precisou se afastar de casa, do seu salão de beleza para se cuidar. As sessões de quimioterapia foram feitas em Petrolina e a radioterapia em Recife, capital do estado de Pernambuco. Ela lembra que algumas coisas perderam o sentido durante o processo, só conseguia focar no tratamento. “É um sentimento de luta para viver. Porque você sabe que ali é um momento decisivo da sua vida. Se você não se cuidar, seguir todas as orientações médicas, corre o risco de não resistir a doença”.
A quimioterapia foi o pior estágio enfrentado durante o tratamento. Com náuseas e cansaço excessivo, aguardava os efeitos colaterais passarem para retomar a rotina no trabalho e em casa. Em relação a radioterapia, conseguiu lidar com tranquilidade, mas, pontuou o incômodo com a pele queimada ao decorrer das sessões com o laser.

Com a perda de cabelo por consequência do tratamento, a autoestima foi afetada, passou a se sentir menos mulher. Cercada de pessoas que deram amor, carinho, atenção e cuidados durante o processo, percebeu que precisava lutar para superar a baixa auto-estima também por elas. Foi o combustível essencial para enfrentar a batalha contra o câncer e passar a encarar a vida de outra forma.
“É uma fase dificílima, mas que traz um aprendizado muito grande para todo ser humano. Você aprende a viver de verdade, a se cuidar, se colocar em primeiro lugar. Muda o ritmo de vida, a maneira de ver as coisas, os problemas. A partir disso, eu mudei e é o que eu quero ser daqui pra frente”.

Atualmente, a cabeleireira se envergonha de não ter feito exames por tanto tempo e não compreende porque pensava dessa forma. A doença mudou a perspectiva que tinha da própria saúde. “O que eu puder incentivar para outras mulheres fazerem os exames, eu vou incentivar porque ninguém merece, se tem cura e você pode alcançar a tempo de retomar sua vida normal, por que não fazer? Tem que fazer sim!”.


Ângela alerta para a importância do autoexame, de procurar um médico com frequência e fazer a mamografia. Caso não tivesse ido buscar respostas logo quando encontrou o nódulo no seio, provavelmente teria tido uma luta ainda mais intensa. Mesmo após a conclusão do tratamento, precisará tomar medicações por mais cinco anos para evitar que a doença volte a se manifestar.
"A gente não pode deixar que uma doença, que tem cura, tome conta e a gente vá por descuido ou porque a vida está agitada. O primeiro lugar tem que ser você. Se você não se cuida, daqui a pouco é você que não existe mais".
Tranquila e cheia de esperança, Ângela vislumbra planos para o futuro, como uma viagem a São Paulo e continuar bem, cuidando da saúde. "Não tenho grandes sonhos, gosto de levar a vida com leveza, gosto de viver. Para mim viver é o máximo".

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